quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Nove anos depois, policial de Princesa Isabel é condenado por tortura e homicídio

Nove anos depois que cinco policiais militares foram acusados de torturar e matar um jovem em Princesa Isabel, no Sertão paraibano, um deles foi condenado nesta quarta-feira (14) pelo Tribunal do Júri de Campina Grande. Os outros quatro policiais foram absolvidos.
Em 26 de junho de 2005, Claudio Henrique Freitas dos Santos foi morto com vários tiros nas costas dentro de um sítio. A sentença com a condenação do policial José Jean Tavares Rabelo foi lida pelo juiz por volta das 22h. Ele foi condenado a oito anos de prisão, mas o advogado dele informou que vai recorrer. O capitão Anacleto de Sá Cavalcanti Neto e o policial Julio Feliciano Cazer da Silva foram absolvidos. A família de Claudio Henrique não estava em Campina Grande, mas, por telefone, o irmão dele comentou que os familiares não estão satisfeitos com o resultado do julgamento e que a família ainda vai recorrer.
Os policiais tinham sido expulsos acusados de torturar testemunhas. O advogado de defesa Harlei Cordeiro explicou que a polícia agiu em legítima defesa. "A vítima tinha assassinado um policial, como está provado no processo, e quando a polícia chegou para efetuar a prisão foi recebida a bala e houve o revide", alegou.
Segundo o Ministério Público da Paraíba (MPPB), a vítima tinha participado de uma brincadeira de 'roleta russa' dias antes com um soldado da Polícia Militar. O policial foi encontrado morto com um tiro na cabeça.
Vários policiais realizaram as buscas dos suspeitos pela morte, mas segundo o MP a investigação descobriu que o próprio policial teria feito o disparo. O promotor explicou que o capitão Anacleto comandou a operação de busca e outras testemunhas do caso foram torturadas na região.
"Enquanto eles realizavam a busca pelo suspeito iam torturando as pessoas. O rapaz estava escondido por medo, não porque tinha cometido o crime, mas porque sabia que seria caçado pelos policiais", explicou o promotor Osvaldo Lopes. O julgamento foi trasnferido para Campina Grande por medidas de segurança, segundo o MPPB. "É normal que o processo seja desaforado, por questões de proteção das testemunhas e várias outras questões dentro do processo", disse o promotor.
REPORTAGEM DO G1 PARAÍBA

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