quarta-feira, 20 de agosto de 2014

'Superbactéria' já fez 79 vítimas este ano

O número de casos confirmados na Paraíba de infecção de pacientes a partir da bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), conhecida por ser resistente às medicações, já chegou a 79 nos sete primeiros meses desse ano. Esse dado já ultrapassou o número de casos registrados durante todo o ano de 2013, quando foram confirmadas 73 situações de infecção com a "superbactéria". Os números foram divulgados pela Comissão Estadual de Infecção Hospitalar, que já realizou 38 inspeções em hospitais municipais, estaduais, filantrópicos e particulares da Paraíba.
De acordo com Raquel Queiroz, enfermeira do Controle de Infecção em Serviços de Saúde, o aumento dos casos de infecção se deu principalmente pela inclusão de exames laboratoriais a que os pacientes foram submetidos. Segundo ela, não só as visitas nos hospitais foram mais efetivas, mas também o nível de atenção em relação à confiabilidade dos casos suspeitos contribuiu para esse acréscimo. Raquel ainda apontou a necessidade dos profissionais de saúde estarem atentos às medidas de higienização, principalmente em relação às mãos.
A Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) da Paraíba, através da direção de Serviços de Saúde, afirmou que também realiza visitas em todos os hospitais do Estado, dentre eles as 34 unidades administradas pelo Governo da Paraíba, que juntas oferecem 2.730 leitos. Durante a inspeção são analisados aspectos como a estrutura física, as condições de trabalho e os processos de resultados.
Segundo Aílton César dos Santos, diretor técnico de Serviços de Saúde, que não confirmou quantas autuações já foram feitas esse ano em hospitais paraibanos, os principais problemas encontrados nas fiscalizações foram mofo em paredes e falhas na higienização dos locais e dos profissionais, fatores que potencializam as possibilidades de infecção.
O diretor de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM), Eurípides Mendonça, considerou o número de infecções pela superbactéria KPC muito elevado, uma vez que os hospitais precisam se preparar para evitar que essa transmissão aconteça. Ele ainda apontou que as gestões dessas unidades de saúde necessitam se conscientizar para a criação de uma comissão de infectologia, que irá minimizar os riscos de infecção. “Os hospitais que têm acima de 70 leitos precisam criar essa comissão. Só assim poderão diminuir os riscos de contágio que, por esses números, são grandes”, disse.
O presidente da Associação Paraibana de Hospitais Particulares, Francisco Santiago, alegou que os hospitais privados obedecem às regras de higienização estabelecidas pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde. Segundo ele, os hospitais também mantêm a dispensação criteriosa de antibióticos. “Essas bactérias estão no nosso meio e no ambiente hospitalar ela causa mais risco aos pacientes que estão em situação de saúde mais grave ou com imunidade baixa. Por isso, nós tomamos todos os cuidados com a higienização dos ambientes e dos profissionais e somos rigorosos quanto ao uso de antibióticos”, frisou.

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