segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cássio e Ricardo focam em acusações e falam pouco de propostas no debate da TV Correio

Cássio Cunha Lima (PSDB) e Ricardo Coutinho (PSB) se encontraram para um debate apimentado na tarde deste domingo (19), transmitido ao vivo por todos os veículos do Sistema Correio de Comunicação. Apesar das promessas dos dois de que o foco seriam as propostas, a maior parte das discussões ocorreu sob ataques e trocas de acusações. No primeiro bloco, ambos se chamaram de “oportunista” e “incompetente” e falaram sobre transporte escolar, denúncias durante o período eleitoral e saúde das crianças.
Primeiro bloco: Candidatos esquecem propostas e começam debate se acusando de 'oportunista' e 'incompetente'
Os candidatos a governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) e Ricardo Coutinho (PSB) minutos antes de começar o debate da TV Correio prometeram um confronto de propostas para o estado para Paraíba, mas no primeiro bloco o destaque foi para os pesados ataques de ambos. Em vários momentos o tucano chamou Ricardo Coutinho de oportunista, já o socialista taxou Cássio de incompetente.
Na primeira etapa do debate cada candidato fez três perguntas com temas livres. Ricardo Coutinho iniciou questionando a Cássio sobre a desapropriação de um terreno no Conde em 1997, no Litoral Sul, que hoje é usado pela iniciativa privada. Segundo o socialista na área deveria ter sido construído o distrito industrial da região. “Ricardo foge dos reais problemas da Paraíba. Ele vem falar de moralidade comprando comidas superfaturadas para a Granja Santana”, declarou Cássio. Ele disse que em seu governo foi gerado um recorde de empregos e que a desapropriação foi legal.
Em seguida Cássio perguntou a Ricardo como os paraibanos irão acreditar nas suas promessas, que segundo ele, não foram realizadas na atual gestão. Ricardo rebateu dizendo que a sociedade conhece a história dos dois e enumerou as ações de sua gestão como diferencial entre eles. “A Paraíba conhece minha vida”, disse.
Na segunda rodada de perguntas Ricardo Coutinho disse que em Uiraúna 13 crianças morreram em carro de pau de arara, que conforme ele afirmou, foi contratado na gestão de Cássio. O tucano chamou o adversário de oportunista e disse que ele estava se aproveitando de uma tragédia para “ganhar a eleição a qualquer custo”. Ricardo descontou taxando Cássio de “incompetente”. “Morreram lá as crianças e você mandou seus assessores no local da tragédia, mas depois não fez mais nada”, afirmou.
A pergunta seguinte de Cássio foi feita com base em denúncias apresentadas em seu guia: “é republicano usar programas do governo com fins eleitoreiros?”. Ricardo respondeu: “Vocês vejam que não tem nenhuma pergunta para fazer”.
Na outra pergunta de Ricardo Coutinho ele falou da “fila da morte” para criança cardiopatas que, segundo ele, existia na gestão do tucano, e questionou qual a opinião dele sobre o programa ‘Ciclo do Coração’. Para Cássio, se o projeto não for feito como foi “a terceirização fraudulenta do Hospital do Trauma” o ‘Ciclo do Coração’ “será mantido, assim como todos os programas que forem bons para o estado, mas com rigorosa fiscalização”.
Cássio fechou o primeiro bloco perguntando onde foram usados os recursos que liberados para atender as pessoas atingidas pela seca. Ricardo respondeu declarando que o tucano passou três anos sem investir “um centavo” na Secretária de Recursos Hídricos. Ele falou das adutoras que estão sendo construindo na atual gestão. “O dinheiro do estado eu não levo para casa e nem deixo ninguém levar”, disse.
Segundo bloco: Ricardo é chamado de mentiroso e Cássio é acusado de receber pensão ilegal
No segundo bloco do debate na TV Correio HD, os candidatos mantiveram a troca de acusações e não focaram, majoritariamente, nas propostas. O evento ocorre na tarde deste domingo (19), com transmissão ao vivo pela afiliada da Record na Paraíba, também pelas rádios da Rede Correio Sat e pelo Portal Correio.
Segundo as regras definidas anteriormente, Cássio Cunha Lima (PSDB) deu início à rodada de perguntas.
A Ricardo Coutinho (PSB), o tucano perguntou o que ele pretende fazer pela segurança, acusando-o de, durante a gestão, investir apenas R$ 3 mil na segurança do estado e fechar delegacias.
Ricardo negou o número e disse que investiu R$ 4 milhões no policiamento da Paraíba e que duplicou o número de delegacias, que, segundo ele, saíram de 10 para 20. Na réplica, Cássio afirmou que vai contratar mais policiais, colocar a polícia na rua, políticas de monitoramento por câmeras e política de gestão integrada. Com a tréplica, Ricardo finalizou a rodada afirmando que a política de segurança no governo dele existe de verdade.
Na rodada seguinte, Ricardo perguntou a Cássio se ele vai devolver o supersalário de R$ 52 mil por mês, que seria ilegal. Cássio respondeu que não há ilegalidade no salário e que precisa recebê-lo para não enfrentar ações na justiça por pensão alimentícia aos filhos.
Na réplica, Ricardo afirmou que o Supremo Tribuna Federal determinou que há ilegalidade e que aguarda a autorização para cortar os supersalários no Estado. Cássio voltou a acusar Ricardo de superfaturamento durante a gestão.
Dando continuidade às perguntas, o tucano perguntou ao socialista o que ele pretende fazer pela educação. Ricardo respondeu que vai melhorar as condições de professores, aumentar o repasse de recursos e universalizar o ensino integral. Na réplica, Cássio disse que 230 escolas foram fechadas, inclusive o Caic, em João Pessoa. Ricardo contestou e disse que Cássio foi cassado por corrupção.
Dessa vez, Ricardo perguntou ao oponente o que ele pretende fazer para investir no armamento se for eleito. Cássio respondeu que os eleitores podem acompanhar números e valores no site dele e prometeu concursos para policiais e aumentar a segurança nas ruas. Na réplica, Ricardo falou que fez as convocações não feitas na gestão de Cássio e que trabalha pela segurança do estado. Cássio o chamou de oportunista e disse que a Paraíba vai mudar no domingo (26).
Na nova rodada, Cássio pediu explicações sobre denúncias de superfaturamento na Fundação de Ação Comunitária na compra de alimentos. Ricardo negou a acusação. Na réplica, Cássio disse que pretende apresentar propostas que vão transformar a Paraíba, como programa do pão e leite, que gerou renda durante a gestão dele. Ricardo o chamou de ator e que ele era repetitivo nas afirmações.
Na rodada final, Ricardo perguntou o que Cássio pretende fazer pela habitação na Paraíba. O tucano respondeu que o Cidade Madura é um programa eleitoreiro e disse que quitou mais de 55 mil casas no estado, falou ainda sobre o Bairro da Glória, em Campina Grande, criado para tirar comunidades carentes da favela da Cachoeira, e prometeu manter a parceira com o governo federal para o ‘Minha Casa, Minha Vida’.
Na réplica, Ricardo disse que em quatro anos fez muito mais pela moradia do que Cássio em sete, entregando 14 mil casas e com a construção de 12 mil. Cássio falou na tréplica, novamente, que quitou mais de 55 mil casas por meio do ‘A Casa é Sua’, além de ter reformado mais de 20 mil residências.
Terceiro bloco também foi de poucas propostas e muitos ataques entre os candidatos
O terceiro bloco começou com direito de reposta de 30 segundos para cada candidato solicitado durante o debate. Em seguida Ricardo Coutinho iniciou perguntando sobre a lei que prevê multa de 5 mil a 30 mil para o autor de comentários ofensivos a políticos, que segundo o socialista, foi defendida pelo tucano. Cássio falou que a lei é direcionada a “apenas empresas que são contratadas para desmoralizar candidaturas”. Em seguida ele apresentou proposta sobre transparência. “Vamos fazer os ‘dados abertos’ para sociedade acompanhar tudo”. Para Ricardo, o tucano fez um “atentado a liberdade de expressão”.
Na sua pergunta, Cássio disse que a Secretária de Educação comprou placas superfaturadas. Ricardo rebateu: “o senhor vive de superfaturamentos fantasiosos”. Para ele o tucano cria denúncias vazias, porque não traz dados para comprová-las. Ele disse também quando há desvio na gestão “pune e investiga e não coloca para debaixo do tapete”. Cássio disse que as ‘notas superfaturadas’ estão divulgas em seu site de campanha.
A pergunta seguinte tratou sobre ética. Ricardo questionou sobre os gastos com passagens aéreas e aluguel de avião para, segundo ele, resolver problemas que não eram ligados as atividades de governo. Cássio repeliu afirmando que o socialista comprou aeronaves desnecessárias para o estado e que o fretamento e passagens foram para compromissos do governo.
Em seguida Cássio perguntou novamente no debate se Ricardo está tendo uma postura republicana nesta campanha, que de acordo com ele, usa servidores obrigados nas atividades de ruas. “É preciso respeitar as pessoas, não há ninguém trabalhando a força na minha campanha”, respondeu Ricardo.
Em seguida, Ricardo Coutinho perguntou a Cássio quais foram as obras de mobilidade urbana feitas pelo tucano enquanto governador. Cássio disse que na época do seu governo a mobilidade urbana não era uma prioridade. Ele completou afirmando que “agora esse é um problema de estado devido ao aumento da frota” e que tem projeto para essa área em seu plano de governo atual. Ricardo destacou as obras que foram construídas para o setor em sua gestão.
Cássio foi o último a perguntar. Ele quis saber qual foi o investimento trazido para o estado para geração de emprego. Ricardo disse que Lula e a presidente Dilma Rousseff foram “bastante receptivos” aos projetos para serem construídos no estado. Ele disse que várias adutoras foram feitas em parceira com o Governo Federal. Cássio replicou afirmando que Ricardo não respondeu sua pergunta.
No último bloco, candidatos diminuem ritmo de acusações e mostram propostas
O debate entre os candidatos ao governo da Paraíba no segundo turno terminou com as considerações finais, agradecimentos e pedidos de votos. O vento ocorreu neste domingo (19) com transmissão simultânea em todos os veículos do Sistema Correio de Comunicação na Paraíba.
Cássio Cunha Lima (PSDB) agradeceu pela oportunidade e criticou o nível que Ricardo pôs na discussão. Ele disse que vai fazer mutirão da saúde e efetivar a parceria com o governo Federal, se Aécio for eleito, para trazer mais desenvolvimento para a Paraíba. Prometeu também trazer uma montadora de veículos para o estado.
Ricardo Coutinho (PSB) fechou com um trecho da Bíblia, no qual diz “conhecereis a verdade e a verdade vos liberatrá”. Ele agradeceu a todos e prometeu investir nos jovens, com projetos de intercâmbio para o exterior, ampliação do PBVest para que haja preparação para concurso público e fez promessas para o esporte, com a ideia de levar jovens os jovens esportistas da Paraíba para intercâmbios no exterior.
O debate na TV Correio HD ocorreu às 17h, para todo o estado e também pela internet. Nas redes sociais, o assunto ficou entre os mais comentados do Brasil.

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