quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Taxa de homicídios tem crescimento acima de 200% nas principais cidades paraibanas

Ao analisar dados de pouco mais de uma década, 2000 a 2012, um estudo realizado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) apontou aumento médio de 214% nas taxas de homicídios por grupo de cem mil habitantes nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Santa Rita.
Em todo estado paraibano a variação chega aos 172%, segundo a pesquisa os homicídios na Paraíba: dinâmica e relações causais da violência medida pelos homicídios nas principais cidades da Paraíba, realizado pelo estudante Eduardo Souza Silva, do curso de Ciências Sociais, sob orientação do professor José Maria da Nóbrega Júnior, coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (Nevu), do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (CDSA), campus de Sumé.
Os homicídios nessas quatro cidades (Campina Grande, João Pessoa, Patos e Santa Rita) aumentaram em desproporção ao crescimento da população, destaca Silva, alertando que, embora tenha havido crescimento do efetivo policial e no número de prisões efetuadas, “as políticas públicas precisam ser melhor desenhadas”.
O estudo preponderantemente quantitativo, com a utilização da estatística descritiva e inferencial, e utilizando os bancos de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS) e do IBGE, também identificou o perfil das vítimas, com a maioria sendo do sexo masculino (93), entre os 15 e 29 anos, pardo (85%), solteiro (80%) e com nível de escolaridade ignorado (66%).
A pesquisa também apontou que a desigualdade social e a extrema pobreza diminuíram drasticamente, com a renda per capita e os índices de desenvolvimento humano aumentando em todos os seus componentes (Educação, Longevidade e Renda), porém, as taxas de homicídios seguiram a ascendente. Assim, comentou o pesquisador, a melhoria dos índices socioeconômicos não foram fatores preditores para a redução da criminalidade homicida.
“Percebe-se, no entanto, que a vítima do homicídio nas principais cidades da Paraíba tem um perfil claramente definido: homem, com baixos níveis de estudo, negro, solteiro, entre 15 a 29 anos. Assim, é importante caracterizar a educação como variável importante para o distanciamento do indivíduo na criminalidade violenta”, salienta Silva.

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