terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Opinião: Corrupção versus impunidade

Por Roberto Cavalcanti.
Pergunte a um brasileiro qual o maior problema do País e – pode apostar – as chances são grandes (enormes) de que ele aponte a corrupção.
Não é para menos: o Brasil figura no topo do ranking mundial da corrupção e o esquema Petrolão, que deteriorou a maior empresa nacional, pode ser eleito o maior escândalo de 2015 pela entidade Transparência Internacional.
Mas será que somos mesmo “geneticamente” suscetíveis à corrupção? O clima, a miscigenação ou qualquer outra teoria racista e politicamente incorreta poderia explicar a pecha que nós mesmos - enquanto nação - estamos nos imputando?
Acredito que, pelo menos desta vez, estamos nos julgando mal. E enveredamos por este equívoco porque estamos mirando o efeito. E esquecendo a causa.
Corrupção, definitivamente, não é causa. É reflexo de um fenômeno que (este sim) explica esta endemia comportamental - e ele atende pela alcunha de impunidade.
Defendo esta tese com base em uma evidência elementar: a corrupção não é exclusividade brasileira. É mundial.
Neste exato momento, por exemplo, servidores da Caixa de Madri, na Espanha, estão sendo denunciados por gastos de US$ 16,5 milhões para cobrir despesas pessoais. O dinheiro – que é público – bancou viagens, artigos de luxo e até reparos de barcos.
Nos Estados Unidos, um pool de banqueiros combinava, via fóruns online, taxas de referência no mercado cambial.
E na Alemanha, um símbolo nacional – a Volkswagen – foi flagrado cometendo crime de lesa pátria, comprometendo a confiabilidade dos produtos made in Germany.
Os “cérebros” da Volks – imagine só – investiram recursos, tempo e tecnologia para criar um software que burlava os dados referentes as emissões de gases poluentes – uma fraude que coloca em xeque a responsabilidade ambiental da empresa e põe a marca na contramão do compromisso número um do planeta, que é a sustentabilidade ecológica.
Em todos os casos pinçados acima, porém, a punição veio a galope.
No Brasil, ela se arrasta – penosa e dramaticamente, testando a paciência do cidadão.
Portanto, se queremos combater a corrupção – como dissemos esta semana, ao registrar a data internacional – precisamos dar respostas rápidas à sociedade e duras aos corruptos.
Precisamos do milagre da multiplicação de “Moros” – que não pode continuar sendo exceção e sim regra entre seus pares.
Nossa jovem democracia e todos os seus aparatos institucionais precisam emitir mensagem clara e inequívoca às aves de rapina. E ela se resume a punição.
Por enquanto, porém, já estamos quase com o troféu nas mãos.
Em fevereiro, quando a Transparência Internacional anunciar o Petrolão como o maior escândalo de corrupção do mundo, o Brasil testemunhará mais um nível de deterioração da imagem da nação.
Mas a trajetória do País não precisa ser necessariamente do caos a lama. Pois no meio do caminho está a Lava Jato – um ensaio de que, enfim, estamos deixando de ser a república das bananas.

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