quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Funcionamento de hospital do Sertão fica comprometido por causa da seca

O Hospital Distrital de Itaporanga, no Sertão paraibano, está passando por dias difíceis após a Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) cortar o fornecimento de água na cidade no início do mês de fevereiro. O abastecimento da unidade de saúde está feito por carros-pipas, que transportam água de um açude do município de São José de Caiana e de um poço artesiano da prefeitura. O abastecimento foi suspenso no dia 1º e a Cagepa alega que, devido ao baixo nível da água do açude Cachoeira dos Alves, que abastece a população, não há como realizar o tratamento, por ela estar fora dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A diretora do hospital, Iara Maysa, conta que o maior problema é quando a água falta e não há caminhões disponíveis para reabastecer o local. “É um sufoco grande porque tem que atender a demanda do hospital e não tem como ser feito de forma rápida. Se os caminhões-pipa estiverem em outros locais, não tem como trazê-los imediatamente”, relata.
Para aliviar um pouco o problema, a prefeitura de Itaporanga está perfurando um poço em frente à sede do hospital, que vai ser destinado apenas à unidade. Enquanto a obra não fica pronta, no entanto, as dificuldades continuam. A água que sai dos filtros dos aparelhos de ar-condicionado também está sendo utilizada na limpeza do local. A higiene das roupas ficou comprometida. Segundo a coordenadora de higienização, Diomara Carnaúba, a quantidade de lavagens foi reduzida. “Antes nós tínhamos de sete a nove lavagens, mas hoje são feitas entre quatro e cinco”, explicou.
A falta de água atingiu também a alimentação. “Nós vamos substituir os sucos por frutas. Outros alimentos que precisam de bastante água nós tiramos. Tudo isso pra economizar porque a crise está grande em Itaporanga”, afirmou a nutricionista do hospital Maria Mariana.
Outro ponto que preocupa a direção da unidade de saúde são os casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Em janeiro de 2016, foram 500 casos entre zika, dengue e chikungunya. Apenas nos primeiros 15 dias de fevereiro, já passam dos 1.000 casos.
“Nos útimos 30 dias, a gente tem observado um aumento considerável de casos. O número triplicou, quase quadruplicou. A gente associa esse aumento na demanda a falta de água. As pessoas acondicionam a água de forma imprópria ajudando a proliferar os mosquitos”, disse o médico do hospital Felipe José.
Por meio do secretário de agricultura Hermes Nogueira, a prefeitura de Itaporanga se posicionou sobre o caso e garante a boa qualidade da água distribuída no hospital. “Nós fizemos a análise da água dos poços e deu tudo certo. A gente orienta a população para que use essa água da melhor maneira”, pediu. Ele ainda informou que uma obra de uma adutora já foi licitada para que traga água de açudes da cidade de Nova Olinda.
G1 PB

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