terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres representam 16,8% dos empregados na indústria da Paraíba

As mulheres representam apenas 16,8% dos formalmente empregados em indústrias paraibanas. O número é um apanhado de 2015 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Estado tem 137.514 pessoas trabalhando em indústrias, com 114.383 homens e 23.130 são mulheres. Em relação a 2014, o crescimento de mulheres nas indústrias foi de 3,8% . Ainda conforme os dados do Caged, cinco áreas da indústria reúnem um percentual maior de mulheres nos quadros de funcionários das empresas. Na indústria têxtil, dos 14.491 empregados, 6.818 são mulheres, representando 47% do total.
Em seguida vem o setor de elétrica e comunicação, onde 31,1% dos funcionários são do sexo feminino. No ramo de papel e gráfica há 3.284 empregados e 915 são mulheres, representando 28%. Nas indústrias de borracha, fumo e couros, 27,9% dos trabalhadores são mulheres.
Já no setor que mais emprega na indústria paraibana, que é o da construção civil com mais de 46 mil empregados, pouco mais de 6% dos trabalhadores são do sexo feminino. Um ramo que vem crescendo no Estado e tem uma grande representatividade principalmente em Campina Grande é o de calçados. A Paraíba tem 14.334 empregados no setor: 10.914 são homens e 3.520 mulheres.
Para a coordenadora de Gente e Gestão de uma fábrica de calçados de Campina Grande, Andreia Albuquerque, é extremamente necessária a presença de mulheres no quadro de funcionários. "Na nossa empresa, temos várias mulheres em cargos de liderança. Não existe diferenciação nem na contratação como também no valor dos salários. Trabalhamos com confecção de sandálias e precisamos da delicadeza delas, que contribuem muito", disse.
Nesta empresa em que Andreia exerce cargo de liderança, há cerca de mil colaboradores e mais de 350 são mulheres. "As mulheres estão conquistando cada vez mais seu espaço e em todos os campos. Não existe mais profissão exclusiva", afirmou a profissional.
Preconceito
De acordo com Irene Marinheiro, coordenadora da Organização Não Governamental Centro 8 de Março, em João Pessoa, que atua em campanhas e ações de assistência e combate a violência contra a mulher, ainda existe uma resistência por mulheres nesse tipo de trabalho e preconceito. Para ela, o conhecimento dos direitos à igualdade tem fortalecido as mulheres. “Sabemos que é um trabalho ainda complicado para as mulheres, principalmente as casadas e que têm filhos, pois acabam tendo uma dupla jornada. Uma parte do dia passam no trabalho e outro cuidando de casa. Mas, essas mulheres são guerreiras e estão na luta pelo seu empoderamento e autonomia. A gente sabe que o machismo ainda é forte e as mulheres sofrem com isso, mas muita coisa já vem mudando, pois as mulheres sabem seus direitos e como exigir”, disse ela.

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