terça-feira, 17 de maio de 2016

Temer escolhe Maria Silvia Bastos para presidir BNDES

A economista Maria Silvia Bastos Marques será a nova presidente do BNDES, uma das maiores instituições de fomento do mundo. A escolha foi confirmada ontem pelo gabinete do presidente interino, Michel Temer, que desde a semana passada está sob forte crítica pela ausência feminina em seu primeiro escalão. Maria Silvia, que substituirá Luciano Coutinho, será a primeira mulher a comandar a instituição. Seu nome agradou a empresários, principais clientes do banco, por sua ampla experiência nos setores público e privado. Maria Silvia conversou ontem com Temer e os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Romero Jucá. Aos 59 anos, mãe de uma casal de gêmeos de 19 anos, Maria Silvia está acostumada ao papel de pioneira. Foi a primeira mulher a integrar a diretoria do próprio BNDES — cuidou das áreas Financeira e Internacional e de Planejamento, nos anos 1990 —, a dirigir a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a comandar as Finanças da cidade do Rio, durante a gestão do ex-prefeito Cesar Maia.
Ela também presidiu a Icatu Seguros e a Empresa Olímpica Municipal, órgão da prefeitura do Rio que coordena e executa os projetos e as atividades relacionados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Ela assumiu a presidência do órgão em 2014 e passou a atuar como assessora especial das Olimpíadas junto à prefeitura. Na semana passada, deixou a função. Formada em administração pública e com mestrado e doutorado em Economia, Maria Silvia ganhou o respeito do mercado por entregar resultados sólidos de caixa. Fez isso na secretaria de Fazenda do Rio, entre 1993 e 1996. No lado privado, alavancou o faturamento da CSN, período durante o qual foi considerada umas das executivas mais influentes do mundo.
EMPRESÁRIOS ELOGIAM ESCOLHA
Colocar finanças no azul é habilidade importante em um momento em que o país enfrenta os desafios da recessão econômica, e o BNDES, principal fonte de financiamento da infraestrutura nacional, tem capacidade limitada de levantar novos recursos.
O banco, apesar de ter registrado lucro de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre deste ano, viu seu braço de investimento, o BNDESPar, amargar prejuízo de R$ 1,8 bilhão no período, ante perda de R$ 900 milhões em igual período do ano passado.
O desempenho foi efeito direto do resultado das baixas contábeis na Petrobras, de R$ 2,6 bilhões. Outra contribuição esperada de Maria Silvia é aos programas de concessão e venda de ativos de empresas públicas, parte importante do projeto econômico de Michel Temer. Ela já trabalhou com o tema em profundidade, quando era assessora especial para Assuntos de Desestatização do BNDES. Só a BNDESPar, tem em carteira R$ 44,5 bilhões em 116 empresas de diversos setores.

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