terça-feira, 14 de junho de 2016

Lembrando ALCIDES CARNEIRO – Um princesense ilustre. 110 anos de seu nascimento.

Por Francisco Florêncio.
AS ORIGENS -ALCIDES VIEIRA CARNEIRO nasceu em Princesa Isabel em 11 de junho de 1906. Filho do paraibano de Catolé do Rocha, VICENTE VIEIRA CARNEIRO e da princesenseMARIA EMILIA DUARTE AZEVEDO (Dona Maroquinha). ALCIDES viveu em Princesa até os 11 anos. Junto com seus irmãos Wandick, Alzira, Edith, Eudesia, Francisco, Yvone, Dirce, Miriam, todos princesenses. Os outros irmãos, Denise (que foi casada com o DrAluisio Pereira) e Vicente nasceram em Fortaleza. Estudou na escola do Professor Adriano Feitosa, onde revelava seus dons para a oratória já na infância quando discursou na festa de encerramento do curso primário.
INFANCIA EM FORTALEZA
Em 1917, com 11 anos, ALCIDESfoi para Fortaleza estudar na casa dos tios Daniel e Enéas Carneiro. Fez o exame de admissão no Colégio S. Luiz, onde chamou a atenção pela excelente preparação intelectual, fazendo os seus professores acharem que ele teria estudado numa Capital e não numa pequena Vila do interior da Paraíba.
Transferiu-se para a Faculdade de Direito do Recife, onde em 1926, com 20 anos concluiu o curso. Em Recife, seus dotes oratórios se fizeram presentes, tornando-o conhecido, respeitado e admirado.
CARREIRA PROFISSIONAL
ALCIDES fez uma carreira brilhante. Primeiro ele se engajou na campanha de 30, na Aliança Liberal, ao lado de João Pessoa, onde fazia discursos inflamados pelo Brasil afora. Foi Inspetor de Ensino no Rio de Janeiro. Procurador da Republica no Espírito Santo. Advogado da Policia Militar no Rio de Janeiro. Presidente do IPASE. Deputado Federal pelo Estado da Paraíba (o único deputado federal princesense!). Procurador da Justiça do Estado da Guanabara. Presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC.Foi Ministro do Superior Tribunal Militar, de 1966 a 1976, onde foi o vice-presidente de 1969 à 1970. Recebeu inúmeros títulos e comendas. Em 1947, disputou o Governo da Paraíba pelo PSD, contra o candidato da UDN Osvaldo Trigueiro, e perdeu.Foi como Presidente do IPASE, de 1947 à 1951 que ALCIDES deixou sua grande marca como administrador público.
Uma de suas principais obras foi o Hospital Alcides Carneiro, em Campina Grande, que hoje é o Hospital Universitário Alcides Carneiro, centro de referência de medicina na Paraíba.
DEPOIMENTOS DE PERSONALIDADES E AMIGOS
Depoimentos dados por pessoas que conviveram com alguém dão uma dimensão maior do homem do que a simples analise da obra que ele possa der deixado. Vou começar por um paraibano ilustre: JOSE AMÉRICO DE ALMEIDA, que de ALCIDES disse: “ É o orador nato, notável pela fluência e pelo colorido. Sua riqueza de imagens nunca decaiu no romantismo porque não é simples retórica, mas uma criação verbal possuída de imprevistos e de visões poéticas”.
Mais um paraibano: O ex -Deputado Federal, e ex-Governador da Paraíba, RONALDO CUNHA LIMA: “A história da Paraiba guarda, com orgulho, a herança do seu inestimável talento e da sua enorme nobreza de caráter. ALCIDES foi uma ds minhas maiores admirações, quer como orador inigualável, quer como homem público no mais alto significado que a palavra integridade pode alcançar”.
OUTRAS REFERENCIAS -HELIO SODRÉ, grande jurista e historiador brasileiro, que escreveu a obra “Historia Universal da Eloqüência” sobre os cinqüenta maiores oradores de todos os tempos, incluiu nessa reduzida e honorável lista apenas os nomes de dois paraibanos: ALCIDES CARNEIRO e EPITÁCIO PESSOA”. E, com certeza, o único princesense desta lista!
O INTELECTUAL, O POETA E O FILOSOFO DAS FRASES
Foi membro da Academia Paraibana de Letras, Academia Carioca de Letras e da Associação das AcademiaS de Letras do Brasil. Romântico, poeta, boêmio, orgulhoso de suas origens sertanejas. São suas frases cheias de espírito e coração, um dos aspectos mais curiosos e de melhor receptividade popular. Vamos rememorar algumas delas. Na inauguração do Hospital do IPASE no Rio de Janeiro, ele disse: “Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra”.
Na posse do Presidente do IPASE: “ A vida do homem público é difícil. Se nomeia os parentes, todo mundo diz: Só se lembra dos seus. Se não os nomeia, todo mundo e mais os próprios parentes exclamam a toda hora: Tão ruim que nem dos parentes se lembra” Na posse da Associação das Academias de Letras: “disputei quatro eleições: duas políticas e duas literárias. Nas duas políticas eu perdi e nas literárias eu ganhei. Nas quatro vezes, os eleitores se enganaram” Num discurso no IPASE: “Paraíba, a terra que se fez tão pequenina para não parecer tão grande e se fez tão grande para se vingar de ser tão pequenina”
Numa carta ao Professor OSCAR DE CASTRO: “Incursionei na política, onde os homens me ensinaram os caminhos do inferno e o estilo do diabo. Aprendi depressa, mas depressa enjoei. Ela não é, senão para muito poucos, a arte humana de trabalhar pelos outros. De qualquer forma, para se vencer politicamente, é preciso enganar muito e mentir outro tanto. No começo, há engulhos. Depois o estomago aceita. A natureza é sabia e os homens, sabidos”.
O FIM
- Faleceu em Brasília – DF, em 22.05.1976 em conseqüência da ruptura de de um aneurisma da aorta abdominal durante jantar de despedida do STM – Superior Tribunal Militar, que lhe era oferecido por motivo de sua aposentadoria. Esta sepultado no Cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro.
O ESQUECIMENTO
Infelizmente, no Brasil a doença do Alzheimer histórico é mal endêmico. A Paraiba além da doença, a insensibilidade com a sua cultura. E em Princesa Isabel, terra pobre em homens e valores, além da doença, da insensibilidade e da pobreza, some-se uma sociedade desmotivada por valores culturais e lideranças desprovidas da compreensão de que não haverá desenvolvimento social, moral e nem econômico, quando não se sabe valorizar o que de melhor esta terra produziu, para apresenta-la ao resto do mundo e assim se distinguir da mediocridade globalizada em que vivemos. Cultuar a figura de Alcides Carneiro, dentre outros, é oferecer aos jovens, paradigmas e referências de vida, e aos menos jovens, orgulho de dizer: sou da mesma terra que deu figura tão ilustre.
Esta pequena lembrança dos 110 anos do nascimento deAlcides é só uma humilde contribuição para avivar a memória dos que sofrem de esquecimento sistêmico.
Por Francisco Florêncio.

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