terça-feira, 11 de abril de 2017

Cidades tem economia prejudicada por conta de agências bancárias fechadas

Cabaceiras, no Cariri da Paraíba, a 200 quilômetros da capital João Pessoa, tem uma agência bancária que conta com toda a estrutura necessária, mas que não tem sequer uma cédula de R$ 2 para movimentação financeira. Os caixas eletrônicos servem apenas para serviços de consulta como saldos e extratos. Na mesma cidade, a agência dos Correios, que poderia movimentar dinheiro, está fechada há um ano. O motivo são roubos e explosões dos cofres e caixas eletrônicos.A população tem que viajar para outras cidades pra conseguir sacar dinheiro e a queda provocada na economia tem feito o comércio local temer a falência. “O dinheiro não circula na cidade. O dinheiro passa a circular fora [da cidade] então há uma dificuldade muito grande para nós empresários aqui do Cariri. Se assim permanecer, muitas empresas vão baixar as portas. Não aguentam porque o imposto é muito alto, a carga tributária é alta demais e estamos tendo muita dificuldade até de efetuar a folha de pagamento dos funcionários”, disse o empresário José de Arimatéia.
O Banco do Brasil de Cabaceiras foi explodido pela última vez em agosto de 2015. As janelas de vidro danificadas com o ataque ainda não foram repostas e ainda são substituídas por tapumes de madeiras. Mesmo assim, a agência reabriu, segundo o banco, por segurança, mas não faz nenhum tipo de operação que envolva cédulas de dinheiro.
Os funcionários fazem atendimentos administrativos e os caixas eletrônicos servem apenas para consultar saldo e extratos de contas.Já agência dos Correios de Cabaceiras está fechada desde que foi explodida há um ano. O prédio é fechado com porta e grades e tem um recado que diz: “Fechado por tempo indeterminado”. Nos municípios da região do Cariri paraibano, cerca de 300 moradores estão sendo prejudicados pela falta de movimentação de dinheiro em espécie, nos bancos dos municípios da região.
De acordo com os dados do Sindicato dos Bancários da Paraíba, apenas no ano de 2016 foram registrados 105 ataques contra bancos. Entre os casos estão 64 explosões, três assaltos, 31 arrombamentos, quatro tentativas de assalto e três golpes do tipo “saidinha de banco. Já este ano, até o fim da tarde desta sexta-feira (10), foram registados oito ataques, sendo cinco explosões, um assalto e duas explosões.
A Secretaria Estadual de Segurança e Desenvolvimento Social (Seds), através do delegado geral adjunto, Iaías Glauberto informou que a Polícia Civil já fez mais de 400 prisões de suspeitos de explosões, nos últimos cinco anos. Disse ainda que a Secretaria de Segurança tenta manter um diálogo com as instituições bancárias, para que os bancos aumentem a segurança nas agências e faça investimentos em equipamentos que inibam as ações deste tipo.
Já a diretoria de comunicação da Febraban, informou que já está investindo na segurança das agências, principalmente em tecnologia, para que sejam feitas operações rápidas e seguras pelos clientes. Isso iria reduzir a necessidade de ter dinheiro em espécie dentro das agências bancárias. Mas, sobre as explosões de caixas, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) ressaltou que a ação de segurança necessária para enfrentar essa violência está fora do alcance das instituições privadas.

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