segunda-feira, 24 de abril de 2017

Dissertando sobre o Jogo da Baleia azul.

Por Andressa Renaly
Vamos lá, poderíamos pensar em várias justificativas, teorias ou hipóteses a respeito desse jogo que viralizou via internet, fora do país, e tem alcançado o Brasil. Nesse, já se observam vários adeptos e casos, tornando-se um problema social e até mesmo de saúde pública; uma vez que, o “gamer over” do jogo é a concretização do suicídio do jogador.
Para quem não conhece ainda, o Jogo da baleia azul trata-se de um passatempo instaurado nas redes sociais, no qual o administrador da página, comunidade ou grupo, dita regras e desafios para que o jogador os cumpra. No mesmo, são propostos “50 desafios” que começam com ações mais tranquilas como, por exemplo: Ouvir músicas psicodélicas, assistir filmes de terror, brincadeiras / aventuras que coloquem sua vida em risco, até ações mais sérias como a automutilação e, por fim, o suicídio. O público-alvo do mesmo é, principalmente, crianças e adolescentes; estes postam seus feitos, nas redes, para a visualização pelo administrador da página que os monitora, como meio de comprovação.
Ainda, podemos indagar algumas questões como: A monstruosidade ou perversidade dos administradores, desses grupos, e a facilidade que eles têm de manipular esses jovens, sendo coercitivos para que se concretize todos os desafios, assim, como na capacidade e paciência de acompanhar o “Grand finale” que é o suicídio do jogador. Mas, vale lembrar que a capacidade do ser humano, para coisa boa ou má, é algo imensurável. Ademais, o administrador poderia ser apenas um jogador de mal gosto, que não tinha o intuito de chegar a tamanha repercussão, que se identifica com práticas arriscadas e gostaria de adeptos, ou até mesmo um psicopata, ou um matador em série que encontrou a estratégia perfeita para manipular e tirar vidas sem ser pego; são inúmeras a possibilidades.
O que muitas vezes as pessoas deixam de pensar é que, para o sujeito que está em uma fase vulnerável de sua vida, que é manipulável, portador de um transtorno mental que o torna susceptível, (tem depressão), ou tendências suicidas; uma vez que o suicídio passou pela sua mente e ele não teve coragem de concretizar, esse jogo é um prato cheio! Ainda mais para o adolescente que, “por natureza”, já é curioso e instintivamente adepto à transgressão.
Muitas vezes, o que poderia ser “apenas uma brincadeira” acaba tornando-se uma tragédia, porque os desafios fugiram do seu controle, ou havia um desejo real pelo suicídio, ou por coerção do administrador da página, ou influência de grupos e amigos adeptos. Aos senhores pais, vale ressaltar que nem tudo é influência de outrem, pois pode haver uma identificação e desejo próprio, que ganhou um rumo mais atrativo e, por sua vez, a saída para lidar com o turbilhão de emoções que é a fase vivenciada.
Na transição da infância para a adolescência, além de mudanças hormonais, são notórias mudanças comportamentais, assim, o próprio adolescente passa a lidar com emoções e desejos contraditórios, tais como: insegurança, medo, raiva, rebeldia, revolta, dentre outros, que os desorganiza de certo modo; mas que, de alguma maneira, fundamentará sua personalidade.
Nesta fase, é possível aderir a certos comportamentos ou práticas que podem difundir-se pela necessidade de aceitação de grupos, pela busca da própria identidade, aprovação social e familiar; imitação de comportamentos, necessidade de atenção, chamando-a de alguma maneira para si, falta ou excesso de limites. Além disso, pode ser, apenas, um modo de relacionar-se e ser visto como sujeito no mundo, de todo modo cabe atenção dos amigos e familiares, ou seja, se alguém próximo tem apresentado comportamentos destrutivos, ou isolamento social, algo não está bem. No quesito mutilação, existem transtornos mentais como: O Transtorno de Personalidade Borderline ou Limítrofe (CID-10- F-60.31) no qual, a automutilação é uma forma de lidar com suas emoções, extravasando-as no próprio corpo; uma vez que, nem todos que praticam sofrem desse transtorno, ou são jogadores do jogo da baleia azul, logo, cabe a observação e a investigação se é, ou não, um transtorno. Muitas vezes, essa é uma prática que está sendo banalizada entre os jovens e até mesmo tornando-se uma “modinha”.
Há quem defenda que arriscar-se e fazer parte de grupos como esses é coisa para gente “burra”, “que não tem o que fazer”, “que não tem limites”, que “é falta de peia”, “que é falta de Deus”, “que as pessoas estão muito sensíveis” etc; tornando-se insensíveis ao próximo, julgando ou fazendo piada, não parando para refletir que cada indivíduo enfrenta situações das mais variadas formas. Será que não está faltando empatia e amor ao próximo? Todos nós estamos suscetíveis ao adoecimento mental e a comportamentos que se mostrem “bizarros” em momentos de aflição.
Ainda, é necessário lembrar que as relações sociais de hoje são distintas de anos atrás, pois o mundo cibernético afeta de forma positiva e negativa as organizações. As imposições sociais e midiáticas da atualidade são outras, as brincadeiras também, e isso muda o modo de pensar, agir, de adquirir e desenvolver padrões. Assim, para quem não está emocionalmente estável, ou não tem uma personalidade formada, as “influências“ negativas nas ações e modos de existir podem ser bastante elevadas.
Destarte, o jogo da baleia azul é um atrativo que se adequa às diversidades de meios de comunicação, comportamentos e patologias desta nova era. Então, é importante que a família, e a escola observe o comportamento das crianças e jovens e estejam próximos para ouvir e ajudar, pois o sofrimento requer cuidado, atenção e sensibilidade. O vínculo afetivo é de fundamental relevância para o desenvolvimento saudável dos mesmos. E, caso seja necessário, é sempre positivo a busca por um profissional capacitado.
Andressa Renaly, Psicóloga Clínica e Especialista em Psicologia Jurídica-
CRP: 13 - 7172 Email: andressarenaly.psi@gmail.com

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