segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Consequências do aquecimento global devem ser ainda piores em 2020


Dois mil e dezenove acabou colecionando recordes negativos para o planeta. Na semana passada, um estudo independente da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) demonstrou que aquele foi o segundo ano mais quente da história desde 1880, quando começaram os registros modernos de temperatura. A mesma pesquisa indicou que essa é uma tendência crescente, iniciada em 1960 e acentuada no último quinquênio, sem data para acabar. O artigo da Nasa e outros trabalhos publicados nas primeiras semanas deste ano indicam que, se nada for feito para reverter o padrão, 2020 deverá ser ainda pior.

De acordo com Gavin Schimdt, cientista do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, ao contrário do que os negacionistas das mudanças climáticas defendem, o aumento de temperatura não está associado a fenômenos climáticos naturais e esporádicos. “A década que acabou de terminar é claramente a mais quente já registrada. Todas as décadas desde os anos 1960 foram mais quentes do que a anterior.” No ano passado, os termômetros marcaram 0,88ºC acima que a média de 1951 a 1980.

A análise mostrou que todos os oceanos do mundo estiveram mais quentes em 2019 do que em qualquer outro momento da história humana registrada, especialmente entre a superfície e uma profundidade de 2 mil metros. O estudo também concluiu que os últimos 10 anos tiveram as temperaturas oceânicas mais altas, sendo o recorde atingido entre 2014-2019. Isso significa que elas não só estão aumentando, mas que o fenômeno está acelerado.

“O que está acontecendo é persistente, não um golpe de sorte devido a algum fenômeno climático: sabemos que as tendências de longo prazo estão sendo impulsionadas pelos níveis crescentes de gases de efeito estufa na atmosfera.”

Gavin Schimdt, cientista do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa

Por Correio Braziliense

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