quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O que é que o ano 2020 nos reserva?


O Ano Novo é como uma página em branco onde tudo tem de ser escrito. Olhando para o calendário ainda em branco, tentamos imaginar os eventos que irão marcar os próximos meses. Que datas ficarão para sempre gravadas nas nossas memórias, que alegrias e agitações trará a colheita de 2020?
Não sabemos o que vai acontecer no próximo ano: na maior parte das vezes, não depende de nós. Mas depende de nós acolhermos isso com confiança. Naturalmente, para o ano 2020, alguns planos estão tomando forma, alguns prazos estão se tornando mais claros: um bebezinho é esperado, um exame para passar, um casamento anunciado. Preocupações também estão no horizonte para o novo ano: a avó, o pilar da família, ainda estará conosco no próximo Natal? Vamos ter mais um ano sem trabalho? Às vezes gostaríamos de ser videntes, de saber a resposta a todas estas perguntas.

De que forma olhar para o nosso futuro? 
Não podemos ler o futuro, quaisquer que sejam as pretensões dos adivinhos. Os horóscopos e as predições não podem esclarecer o próximo ano. A este respeito, talvez vale a pena lembrar que todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas, porque são incompatíveis com a liberdade humana, que é por definição imprevisível. Eles também estão em contradição com a Fé Cristã e a Esperança.
Pois , a consulta de horóscopos, astrologia, quiromancia, interpretação de presságios e feitiços, fenômenos de clarividência, uso de médiuns, oculta um desejo de poder sobre o tempo, sobre a História e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de se reconciliar com os poderes ocultos. Este desejo nem sempre é consciente, mas está sempre subjacente.
A atitude cristã correta é se colocar com confiança nas mãos da Providência quanto ao futuro e abandonar toda a curiosidade nociva a esse respeito.

De que nos serviria conhecer o nosso futuro antes do tempo? 
Jesus nos disse e repetiu: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,34). É bom prever, organizar – especialmente quando está a cargo de uma família – mas colocando tudo isto nas mãos de Deus: o nosso seguro contra qualquer risco é o amor de Deus. Nossa esperança repousa na sua Palavra, não nas previsões de algum adivinho ou nas previsões de especialistas. No fundo, se estamos tão ansiosos por conhecer o futuro, não é porque nos falta confiança?
Claro que é difícil esperar sem saber… sem saber se o nosso filho vai recuperar, se um longo período de desemprego vai finalmente levar a um emprego estável, se um jovem frágil vai encontrar o seu equilíbrio, se um casal na iminência de se separar vai tomar o caminho da reconciliação, ou se uma criança por nascer vai carregar a deficiência anunciada pelos médicos. Mas qual seria a vantagem de saber de antemão? Porque, aconteça o que acontecer, a graça nos será dada quando precisarmos dela. Mas não antes.

O que vamos fazer com esta nova página em branco? 
O pior, no que o Maligno tem mais poder, é a imaginação. Quando somos confrontados com a realidade, podemos combater, lutar e enfrentar a situação. Mas, na imaginação, a angústia pode se manifestar para o desespero, sem que tenhamos controle. E a graça de Deus não é imaginária, mas real.
O que vai acontecer este ano? Não sabemos. Mas isso não importa. A verdadeira questão, a única questão que importa no final, porque a resposta depende de nós, não é: o que vai acontecer? Mas: o que vamos fazer? Certos eventos acontecerão sem que possamos os alterar, pelo menos não direta e imediatamente. Eles serão impostos desde fora, mas permaneceremos livres para os acolher com confiança e determinação, em vez de sermos submetidos a eles. Seremos livres para os viver com esperança, em vez de os vermos como uma fatalidade inexorável.
Se o nosso ano é duro, doloroso, cheio de provas, ou se é semeado de alegrias, boas surpresas, acontecimentos felizes, será belo e fecundo se o vivermos com Deus, Nele e para Ele. Esta não é uma fórmula piedosa, é a realidade do que somos chamados a fazer.


Reações:

0 comentários: