sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Opinião: O eterno drama da seca no Sertão



Gasta-se milhões com a Transposição do Rio São Francisco, mas para a água chegar ao povo do sertão é necessário mesmo o uso do velho carro-pipa para a distribuição do líquido precioso em cidades como Teixeira, Princesa Isabel, Cajazeiras e Pombal.

Cidades continuam pedindo socorro por conta dos açudes com baixo volume, como é o caso de Princesa Isabel, que está com 6,23% de sua capacidade total, apresentando um volume de 450.486 m3, enquanto sua capacidade é de 7.229.180 m3. 

Até que choveu bem na região nos últimos meses, mas a água não conseguiu ser armazenada em sua totalidade.

Em maio desse ano, a Agência Nacional das Águas (ANA) realizou um estudo em parceria com os órgãos gestores estaduais dos recursos hídricos, dentre eles a AESA, com vistas à melhoria das informações quali-quantitativas de mananciais paraibanos, objetivando a promoção da gestão adequada e mais eficiente dessas águas. Mas, até o presente momento, nenhuma intervenção foi feita nos mananciais que foram considerados “preocupantes” pelas equipes gestoras.

Maioria dos açudes, não conseguem receber com eficiência água da chuva porque continuam enfrentando o problema do assoreamento, que ocasiona acúmulo de areia no leito dos mananciais, diminuindo a capacidade de armazenamento desses espaços, provocando transbordamento em épocas de grande quantidade de chuvas.

A assoreamento é um grave problema e reduz o volume dos açudes impedindo que novos acúmulos se concentrem no local. As autoridades sabem disso e os órgãos competentes tem base financeira para introduzir investimentos nos açudes de maneira que estes ganhem nova estrutura para recepção de novos volumes e manutenção dos existentes com mais segurança.

Mas a verdade é que a indústria da seca precisa se manter. “Eles” não buscam a solução definitiva, porque sanar o problema da falta de água no sertão é acabar de vez também com as “ajudas políticas” e parcerias milionárias.  Se o povo não tem o que pedir, o “político” deixa de ser necessário.

Nos últimos anos, a crise de desabastecimento é tema diário, principalmente quando vem os questionamentos sobre a tão esperada transposição que ainda não opera em sua totalidade no sertão. Enquanto isso, a indústria da seca continua funcionando, pois a população permanece pressionando o governo e os políticos para fazerem uma melhor distribuição de água para as regiões calamitosas do sertão. Lamentável!

Por Sabrina Barbosa


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