quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Qual a relação entre suicídio e redes sociais?


O aumento dos casos de suicídio entre jovens brasileiros é preocupante. Desde 2014, a incidência entre jovens de 12 a 25 anos no Brasil teve um aumento de aproximadamente 40%. No País, o suicídio ocupa a quarta posição na lista das maiores causas de morte entre homens e mulheres de 15 a 29 anos. 

No Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, lembrado em todo o mundo nesta terça-feira, 10 de setembro, a professora de Psicologia da Unifacisa, Renata Oliveira, alerta para um fator que reforça o crescimento dos casos de suicídio: as redes sociais.
“O uso das redes sociais amplificou uma forma de funcionamento que já existia, mas ainda sem consequências tão chocantes: a sociedade do espetáculo e o viver de aparências. No entanto, a exacerbação desses fenômenos no âmbito das redes sociais se tornou praticamente um sintoma de incontáveis pessoas que vivem em função de curtidas e seguidores. Somando-se a isso, temos: a falta de tolerância à diferença, à frustração e ao fracasso; e a falta de sentido, pois nos acostumamos a querer tudo pronto e para ontem. O resultado é o aumento dos transtornos psicológicos e, consequentemente, dos suicídios”, explica a especialista.

Além da busca pela imagem perfeita e a comparação excessiva, as relações interpessoais sofreram modificações com as plataformas digitais, segundo Renata. “A virtualidade restringe a possibilidade de respostas reais, sem filtro, e reforça a superficialidade nas relações, tornando-as sem sentido, vazias e descartáveis. Também passamos por um momento em que valores como solidariedade e cooperação se tornam cada vez mais esquecidos”, diz.

E como identificar e lidar com um possível comportamento suicida em um amigo, parente ou colega de trabalho? Renata fala sobre os sinais e a melhor forma de agir nestes casos. “Os sinais incluem: apatia, isolamento social, humor deprimido, ideias mórbidas e negativas, desistência de projetos e expressões como ‘eu só queria sumir’, ‘não aguento mais essa vida’ e ‘preferia estar morto(a)’, que são sinais de alerta para o risco de tentativas de suicídio. O certo é fazer com a pessoa se sinta acolhida, ouvi-la, abraçá-la e providenciar ajuda profissional com psicólogos e psiquiatras”.

A professora destaca a importância do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e também da campanha Setembro Amarelo, criada no Brasil em 2015 pelo Centro de Valorização à Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Essas iniciativas são de suma importância, já que o suicídio ainda é considerado um tabu no Brasil. Além disso, servem para tentarmos compreender o fenômeno do suicídio sem julgamentos morais e religiosos, pois trata-se de algo multideterminado e um problema de saúde pública”, completa Renata.


Por Sabrina Barbosa com Assessoria

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