quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Recuperação dos locais atingidos por óleo deve levar de 10 a 20 anos


Há dois meses, no dia 30 de agosto deste ano, foram encontradas as primeiras manchas de óleo nas praias do Conde e Pitimbu, na Paraíba. De lá para cá, o óleo atingiu nove estados, 94 municípios e 268 localidades, segundo os dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Para o diretor do Instituto de Biologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Francisco Kelmo, a recuperação dos locais atingidos deve levar de 10 a 20 anos.

O profissional está realizando pesquisas e visitas de campo aos locais atingidos.
A professora do programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) Patrícia Pinheiro Beck Eichler diz que, do total do óleo derramado nas praias, “30% obrigatoriamente vão passar a coluna d’água e vão cair no sedimento. Uns 70% provavelmente são passíveis de serem removidos”, explica.

O governo federal afirma que, até o momento, foram recolhidas 1.027 toneladas de resíduos em 2,5 mil quilômetros da costa brasileira com ajuda da Marinha, Ibama, Petrobras, FAB, Exército Brasileiro, Defesa Civil, ICMBio, Polícia Federal, Ministério do Meio Ambiente, instituições e agências federais, estaduais e municipais, além de empresas e universidades.

Kelmo afirma que ainda não é possível afirmar se algum local atingido será completamente comprometido pelo óleo. “A minha esperança é que todos sejam recuperados”, afirma. Segundo o professor, o óleo tem alta densidade e, por isso, a flutuação na superfície do mar é apenas uma de suas características. “Ele tende a ficar abaixo da superfície da água. Quando chega às regiões mais rasas, fica na areia”, explica.

Eichler diz que, de 30 amostras coletadas em regiões atingidas, 28 mostram que o óleo entrou em camadas inferiores do solo marinho, com 10 centímetros de profundidade, atingindo a infauna — organismos que vivem dentro do solo marinho, como se fossem as minhocas, que são importantes para a oxigenação e remineralização do espaço.
“Teoricamente o que foi empunhado no sedimento é muito difícil de tirar. O que você vai remover de óleo vai destruir de fauna. Provavelmente não tem o que fazer”, explica.

Eichler também diz que a mortalidade por asfixia de animais marinhos vai aumentar o número de “carcaças e putrefação dos ambientes como um máximo de proliferação de doenças”, devido aos ácidos sulfídrico, amônia e metano, que fazem com que o oxigênio diminua no local.

O professor da UFBA afirma que, no mar aberto, o índice de decomposição é relativamente pequeno. “O volume de água do mar é grande o suficiente para diluir os efeitos. Se isso fosse dentro de uma baia, fechada, a gente poderia se preocupar”, diz.
Segundo o Ibama, 39 animais foram conhecidamente afetados pelo óleo, sendo eles cinco aves mortas, três vivas, 18 tartarugas marinhas mortas, 11 vivas, um peixe e um réptil mortos. Além disso, foram capturados preventivamente 2.190 filhotes de tartarugas marinhas na Bahia e 624 em Sergipe.

 R7

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